Mesmo com 104 anos, Niemeyer permanecia pensando, trabalhando, arquitetando. Seu fôlego incansável e suas curvas únicas impressionavam a todos. Não é preciso ler placas ou perguntar para um guia, as obras de Niemeyer surgem imponentes onde quer que estejam - O Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, o Museu que leva seu nome, em Curitiba, Brasília inteira... Desse modo, perdemos um gênio. Um cara que traçava as curvas na arquitetura como os poetas escrevem as curvas de uma mulher.
E Chico Buarque (que sabe muito bem como cantar as curvas de uma mulher) escreveu um pequeno textinho na ocasião que Niemeyer completava 90 anos, em 1997, que acho legal publicar aqui:
"A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar.
Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar!
Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar."
Chico Buarque
(publicado em SILVA, Fernando de Barros e. Folha Explica Chico Buarque: São Paulo: Publifolha, 2004)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
TEATRO: FLOR DE OBSESSÃO/CINE-THEATRO
Segue aqui no blog as duas montagens que eu participo. Estão todos convidados!!!
Cine-Theatro é uma adaptação de um texto do Grupo Galpão. Comédia super bacana!
Flor de Obsessão é fragmentos da obra de Nelson Rodrigues: as cenas fundamentais de suas peças e de 'A Vida Como Ela É...' - vale a pena! Compareçam!!!!
CINE-THEATRO
Orientação/Direção: Larissa Sanguiné e Leo Maciel
Dias 06 e 07 de Dezembro, às 21h
Teatro Museu do Trabalho (Andradas, 230)
Flor de Obsessão
Orientação/Direção: Zé Adão Barbosa
Dias 14, 15 e 16 de Dezembro, às 21h
Teatro Museu do Trabalho (Andradas, 230)
Cine-Theatro é uma adaptação de um texto do Grupo Galpão. Comédia super bacana!
Flor de Obsessão é fragmentos da obra de Nelson Rodrigues: as cenas fundamentais de suas peças e de 'A Vida Como Ela É...' - vale a pena! Compareçam!!!!
CINE-THEATRO
Orientação/Direção: Larissa Sanguiné e Leo Maciel
Dias 06 e 07 de Dezembro, às 21h
Teatro Museu do Trabalho (Andradas, 230)
Orientação/Direção: Zé Adão Barbosa
Dias 14, 15 e 16 de Dezembro, às 21h
Teatro Museu do Trabalho (Andradas, 230)
sábado, 24 de novembro de 2012
Frases VI: Woody Allen
"Eu teria que fazer uma pausa e me perguntar se conseguiria criar uma história que funcionasse no Brasil"
Woody Allen, cineasta americano, 76 anos, em entrevista antiga à revista Serafina, do jornal Folha de São Paulo.
domingo, 18 de novembro de 2012
CINEMA: Os Lindos Lábios de Camila Pitanga
Como é bom ver um Brasil representado tão bem em nosso - cada vez melhor - cinema. E representado em tantas belezas naturais e ao mesmo tempo num obscuro e entranhado lado da identidade brasileira.
Como é bom assistir a um filme que foge do eixo Rio-São Paulo, em que o personagem sai de casa com pé descalço e deixa a porta aberta e isso é plenamente verossímil.
Como é bom ter um elenco com alguns nomes "apagados", mas tão afinado e com a criação de personagens fortes.
E como é bom (como é ótimo!!) assistir a Camila Pitanga em sua melhor forma. Faltam adjetivos! Além dos seus lindos lábios, da sua sensualidade absurda, é uma atuação perfeita, impecável. O portal Ig na época do lançamento define a atuação: "Camila Pitanga desarma qualquer um. Comprometimento impressionante. é de se aplaudir de pé."
Filme um tanto difícil de se classificar, talvez um suspense, talvez um romance, uma aventura, possui suas falhas (poucas), mas enche os olhos. Lindo filme, lindo título. E linda, linda, deslumbrante Pitanga!!
Assista!
Como é bom assistir a um filme que foge do eixo Rio-São Paulo, em que o personagem sai de casa com pé descalço e deixa a porta aberta e isso é plenamente verossímil.
Como é bom ter um elenco com alguns nomes "apagados", mas tão afinado e com a criação de personagens fortes.
E como é bom (como é ótimo!!) assistir a Camila Pitanga em sua melhor forma. Faltam adjetivos! Além dos seus lindos lábios, da sua sensualidade absurda, é uma atuação perfeita, impecável. O portal Ig na época do lançamento define a atuação: "Camila Pitanga desarma qualquer um. Comprometimento impressionante. é de se aplaudir de pé."
Filme um tanto difícil de se classificar, talvez um suspense, talvez um romance, uma aventura, possui suas falhas (poucas), mas enche os olhos. Lindo filme, lindo título. E linda, linda, deslumbrante Pitanga!!
Assista!
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
LITERATURA: Poesia de Domingo, de Afonso Antunes
Já corriam uns
bons anos desde que havia lido um livro de poesia. Minha casa é a prosa,
definitivamente. Tanto na escrita, quanto na leitura. Mas esse guri – um guri
tanto quanto eu – me contatou com esse gênero novamente, me apresentou a poesia
novamente, e a reaproximação foi imediata. Com a clara influência de Manuel
Bandeira e Drummond, a poesia de Afonso Antunes é com verso livre e a rima não
é obrigatória. Poesia de Domingo é a estreia na literatura de Afonso, um tímido
porto-alegrense de 18 anos.
Afonso é
persuasivo dentro de sua timidez. O cara é tão decididamente tímido, que é
quase contagioso: tenho sempre a sensação que saio das nossas conversas um pouco
mais tímido e nunca que eu consigo “puxa-lo” para o lado dos extrovertidos.
Afonso é
corajoso dentro de sua timidez. Eu, que sou bem mais falante, tenho um punhado
de textos guardados que não penso em publicar (um meio de receio, outro meio de
preguiça, talvez). E qual outro tímido tem tamanha coragem de dedicar um poema intitulado
“Verdade” à presidente da república? É, Afonso, talvez os tímidos dominem o
mundo, mas antes disso você já dominou os tímidos.
E quem o
conhece e sabe dessa sua característica tão marcante, surpreende-se ao ler “Poesia
de Domingo”. Há uma eloquência consciente que percorre o livro do início ao
fim. Uma força de teclado, um forte grito inteligente e ao mesmo tempo
inteiramente poético.
Não sei se a
poesia de Afonso é tão verdadeira ou se são nossos gostos e ideias parecidas –
como já provamos ter – que fizeram com que eu me identificasse, tão logo o
livro aberto, com diversas de suas experiências.
E, como todo o
livro, algumas poesias precisam passar “apagadas” para existir aquelas que se
destacam, versos, sacadas muito boas. Por exemplo, o poema “Livros inacabados”,
em que Afonso consegue colocar enredos de Dom Quixote, Cem Anos de Solidão, O
Apanhador no Campo de Centeio, A Revolução dos Bichos, O Velho e o Mar, e
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ou então o poema “Ontem”, tão cheio de
verdade, que consegue tirar lágrimas de leitores mais “sensíveis”, ou o poema “Intimidade
Visual”, tão completo na sua singeleza, que talvez seja meu preferido, ou ainda
“Johnny Bravo” e a comparação seguida com o diálogo com o personagem. E “diversas
outras tantas”...
Não para,
rapaz! Tens um caminho longo, como Seben já disse no prefácio.
Reafirmo que
minha casa é a prosa. Mas ao terminar o livro de Afonso, descobri que a poesia
é aquela casa sempre boa de visitar. Principalmente num dia especial. Num
domingo qualquer.
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